20 de dezembro de 2014

A Inveja, um sentimento negativo, um prazer oculto que leva ao ódio


 “Era uma vez uma cobra que começou a perseguir um pirilampo. Ele fugia com medo da feroz predadora, mas esta não desistia.

Um dia, já sem forças o pirilampo parou e disse à cobra:

- Posso fazer-te 3 perguntas?

- Podes. Não costumo abrir esse precedente, mas já que te vou comer…, podes perguntar.

- Pertenço à tua cadeia alimentar?

- Não.

- Fiz-te alguma coisa?

- Não.

- Então porque é que me queres comer?

- Porque não suporto ver-te brilhar!!”

 
Existem pessoas, que fazem de tudo para não nos deixarem brilhar!

Maior parte das vezes, nem sabem porquê, mas sentem necessidade e prazer em fazê-lo.

Já se apercebeu de um (a) colega/amiga(o) que ambicionava ser igual a si, não por admiração, mas por necessidade de se apoderar do seu protagonismo?

E de um colega a quem ajudou, num momento em que este lhe solicitou, que vem mais tarde a apoderar-se do lugar, pelo qual durante tanto tempo lutou, apenas pelo prazer de o fazer perder o mesmo?

Falamos de inveja, um sentimento negativo de inferioridade e tristeza, que surge da comparação com os outros, quer seja do ponto de vista material, social, físico ou até moral e da tendência a supervalorizar o que estes têm e são, em detrimento do que possuímos e somos.

Este sentimento gera cobiça pela riqueza alheia, desejo em possuir os bens, atributos e qualidades dos outros, desenvolvendo um prazer oculto pelo seu mal-estar e sofrimento que conduz à raiva e ao ódio pelo outro e por tudo o que o seu bem-estar representa para nós.

Maior parte das vezes não se deseja exactamente o que o outro tem, mas deseja-se fervorosamente que ele não o tenha!

 
Somos todos invejosos?

A inveja, pode ser um sentimento momentâneo, algumas vezes até confundido com a admiração, ou ser um traço de carácter enraizado no início de vida.

 
Todos nós podemos, em determinado momento da nossa vida, ter olhado para algo ou para alguma característica de terceiros e a ter desejado.

O que se passou nesse momento?

 
Em situações como esta importa sempre analisar conscientemente o mecanismo que está por trás deste desejo.

Cobiça, raiva, por um lado, ou inspiração, respeito e vontade de criar condições para lá chegar, por outro? 

Na primeira situação falamos nitidamente em inveja, na segunda num sentimento completamente diferente, em admiração.

É natural termos ambição e vermos em determinadas características dos outros a materialização de características que também pretendemos desenvolver, não significa porém que estejamos com inveja destes apenas os consideramos uma fonte de inspiração para as ações que pretendemos empreender. Ficamos felizes com o seu sucesso e se podermos um dia também lá chegar, porque não?

Quando a inveja resulta de um traço de carácter está geralmente associada a uma baixa auto-estima. Estas pessoas, por desconhecerem e/ou não confiarem nas suas verdadeiras qualidades, supervalorizam os outros. Não acreditam em si e por isso não estão dispostos a lutar pelos seus objetivos com receio de fracassarem. Sentem-se mal com o sucesso dos outros, o qual gostariam de ter. Levam o tempo todo a desejar irracionalmente ter e ser como todos os que admiram, ao invés de valorizarem o que os torna únicos e traçarem um plano que lhes permita focarem-se em si e naqueles que são os seus objetivos.

A quem afecta mais a inveja?

A pessoa invejosa ou a pessoa invejada?

Nitidamente ao invejoso, pelo desgaste provocado pela raiva e ódio pelo bem-estar e sucesso dos outros.

O invejoso vive tão obcecado com o prazer de bloquear as oportunidades do outro que acaba bloqueando as suas e a sua própria vida.

Cultive admiração, controle a inveja:

J  Concentre-se em si, naquelas que são as suas reais necessidades e objectivos!

J  Deixe de se comparar com os outros, você é único, aceite e faça valer essa diferença!

J  Tem vontade de competir com alguém? Compita consigo, desafie os seus limites!

J  Admire os outros, um dia também eles o(a) admirarão!

J  Sente que não consegue controlar a inveja que permanentemente sente de tudo e de quase todos, mesmo os que lhe são mais próximos? Procure a ajuda de um profissional.

J  Treine o desapego





 

20 de outubro de 2014

Temos ou não livre-arbítrio?


Levo os sapatos azuis ou os pretos? Faço um MBA ou uma especialização na minha área de formação? Faço um depósito a prazo para poupar algum dinheiro ou aproveito e faço uma vida desafogada gastando o que tenho?

Amanhã vou começar a fazer desporto!

O tema deste artigo interessa-me, por isso vou lê-lo!

A maioria das pessoas acredita que é livre para escolher o que faz, desde o mais simples ao mais complexo

Todos temos uma vida pessoal, profissional e social e acreditamos que somos os autores da mesma!

Crescemos e somos educados para sermos responsáveis pelas nossas acções e decisões ao longo da vida, mesmo que sujeitos a constrangimentos da vida, que podem ir desde a genética e educação, a factores diversos.

Acreditamos assim, que temos livre-arbítrio nas escolhas que fazemos e nas acções que empreendemos ao longo da nossa vida.
                                   
Utilizamos a expressão livre-arbítrio para designar a capacidade que o indivíduo tem para tomar decisões por conta própria. Significa juízo livre, vontade e capacidade de escolha entre o bem e o mal, entre o certo e o errado, conscientemente conhecidos.

Imagine como seria uma sociedade com pessoas sem controlo consciente sobre as suas acções?

E o Mundo sem livre-arbítrio?

Acredito que neste momento as palavras que lhe ocorram sejam: caos, impossível, jamais, “salve-se quem puder”, entre outras!

Surpreenda-se, a Neurociência, tem provado, através de diversos estudos experimentais, a existência de actividade cerebral antes que a pessoa tenha consciência do que vai fazer.

Começamos a preparar movimentos antes de sentirmos “vontade” de os fazermos. O nosso cérebro decide o curso das acções, sabe o que vai ser feito, muito antes de nós sabermos.

Recorrendo à ressonância magnética bem como a outro tipo de exames, as investigações mais recentes, corroboram esta tese de que a actividade cerebral precede e determina uma escolha consciente.

Uma decisão pode já ter sido feita pelo cérebro cerca de 5 a 10 segundos antes de tomarmos consciência do que vamos decidir!

A consciência é apenas uma “parte” do cérebro e há outros processos cerebrais que tomam decisões antes dela. É possível que ela surja apenas para contextualizar as situações e dar coerência às nossas acções no mundo!

Para Michael Gazzaniga, o pai da neurociência cognitiva, a nossa mente é gerada pelo cérebro, que guiado pelo determinismo biológico define quem somos.

A Neurociência demonstra-nos assim, que as escolhas que pensamos fazer, expressão da nossa liberdade, são feitas sem o nosso controlo explícito.

Estaremos assim tão iludidos?

Onde fica a nossa liberdade e responsabilidade?

Afinal, temos livre-arbítrio ou não?

Imagine a dita sociedade, descrita no início deste artigo, em que seria fácil a qualquer um matar, roubar ou cometer qualquer outro crime, desculpabilizando-se com “não fui eu, mas o meu cérebro que me mandou fazer isso!”

Os próprios neurocientistas questionam-se e reconhecem como estranha a ideia de um mundo sem livre-arbítrio e procuram conciliar a sua teoria com a questão da responsabilidade pessoal.

Analisemos os factos

Se pararmos para nos autoanalisarmos, verificamos que tomamos muitas decisões sem “pensar”, inconsciente e involuntariamente. Um exemplo, quem já não saiu de casa perfeitamente consciente do local para onde se dirigia, entrou no carro, começa a conduzir e de repente apercebe-se que se está a fazer um outro caminho diferente do previsto? Nesta situação o que faz? Decide corrigir esse mesmo percurso e direccionar-se para o local pretendido. A segunda decisão claro que foi aparentemente voluntária e consciente. Mas e a primeira? Essa certamente que não.

Na realidade decisões simples que não impliquem complexidade de escolhas  podem frequentemente acontecer antes da consciência ter conhecimento.

Quando se trata de decisões como aquelas que são essenciais para a nossa vida, existe um leque de complexidade de escolhas que se reflete no livre-arbítrio e não se reduz ao conhecimento existente da fisiologia cerebral. Algumas poderão assim acontecer antes da consciência ter conhecimento mas outras não.

A temática do livre-arbítrio é demasiado abrangente para que se esgote nas investigações que até à data temos conhecimento!

As certezas:

Mesmo que o nosso cérebro já tenha decidido fazer comprar ou falar temos sempre oportunidade e liberdade para voltar atrás, até ao último instante e alterar essa decisão, desde que tomemos consciência do que estamos prestes a fazer, temos livre-arbítrio para o fazer. 

As escolhas que fazemos na vida são nossas, podem ser ou não conscientes, consoante sejam fruto de uma análise consciente e racional de várias alternativas ou de uma resposta emocional inconsciente, bem como de uma resposta automatizada, de um hábito adquirido.

Esta tomada de consciência do que estamos prestes a fazer, mesmo que no último instante, a liberdade para voltar atrás e decidir melhor são uma excelente oportunidade para nos responsabilizarmos conscientemente pelas nossas acções!

Desta forma podemos afirmar que agimos com livre-arbítrio!

A visão da ciência actual ainda não tem alcance suficiente para explicar, nem justificar, através dos circuitos neuronais a nossa capacidade de aprender e criar ideias novas. A fisiologia cerebral é ainda insuficiente para justificar a complexidade cognitiva.


 

22 de agosto de 2014

Beleza Inalcançável: Mito? Sadismo?

Vivemos numa sociedade de consumo, caracterizada por uma inversão de prioridades humanas, onde a aparência física é factor determinante para se ser bem sucedido e a perfeição corporal é confundida com felicidade, bem estar social e realização.

Os media assaltam-nos, diariamente com programas, debates, entrevistas que nos remetem para corpos perfeitos, sem uma grama de gordura e sorrisos imaculados.

A manipulação informática das imagens difundidas em campanhas publicitárias e revistas, reforça o carácter irreal e inatingível deste padrão de beleza, distanciando-o em muito da mulher comum. Segundo os especialistas apenas uma parcela mínima da população mundial tem estrutura física para tal.

A obsessão pela aparência e a busca incessante deste padrão de beleza, ocupa, na sociedade actual, o lugar dos valores morais e sociais. É já  considerada uma das principais causas de stress e ansiedade pela pressão que exerce sobretudo nas mulheres.  

Ser belo e perfeito a todo o custo, tem tornado infelizes e deprimidas pessoas saudáveis que não conseguem atingir os padrões vigentes, sobretudo os jovens que ainda estão em fase de crescimento e desenvolvimento físico e que, naturalmente, ainda não se enquadram nos mesmos.

Feridos na sua auto-estima, perdem o prazer de viver, isolam-se  e assumem, com frequência, comportamentos que mutilam a sua estrutura física e põem em risco a sua saúde.

Dados da organização Mundial de Saúde, referem a bulímia e a anorexia como as principais causas de morte em mulheres jovens (11-20 anos).

Será que a beleza é parte essencial da natureza humana?

Claro que sim!
Todos procuramos encontrar harmonia, sentido estético!

Segundo Nancy Etcoff (cientista e psicóloga), a busca da beleza é parte essencial da natureza humana, facto pelo qual todas as civilizações a reverenciaram e perseguiram.

Não significa contudo que tenha que existir um padrão a seguir para estar em conformidade com os outros, mas sim a procura de um bem estar pessoal!

Esta perspectiva com que vemos e interpretamos o valor e a importância da beleza faz toda a diferença para que não corramos atrás de um padrão imposto por uma indústria que “garante” felicidade através de corpos perfeitos e uma sociedade desprovida de valores.  

Nada mais saudável do que cuidar de si por forma a preservar a sua saúde e bem estar!

Perderá naturalidade e poderá assumir um carácter patológico, quando estas acções de cuidar e preservar forem motivadas por uma lógica de querer ser igual aos demais e ter por exemplo o nariz da Gisele Bündchen ou a boca da Angelina Jolie e da Pamela Andersen.

A harmonia do corpo e a beleza que existe em cada um de nós, começa de dentro para fora e não de fora para dentro como os media assim nos impõem.
Ela é um espelho do nosso estado de espírito.

Cada mulher é e pode ser sempre uma mulher linda, dotada de uma beleza única que a diferencia dos demais!

É a verdadeira essência do seu ser que a define e torna essa beleza única, transmitindo-lhe um brilho inigualável, um poder imensurável e uma longevidade bela e harmoniosa.

Para ser feliz e bela não precisa ter um corpo perfeito, só precisa de encontrar a sua identidade, reconhecer e apaixonar-se pelo ser lindo e único que é, actuar de acordo com os seus valores e não se comparar com os demais!

Pare de se violentar!
Não caia em armadilhas dos media em nome de um corpo perfeito!
Por si e pelo seu bem estar, liberte-se! Seja única, feliz, bela e saudável!

   Pense em si numa perspectiva holística e em tudo o que lhe possa proporcionar bem estar.

 Faça uma alimentação saudável, não para atingir padrões estéticos impostos pela sociedade, mas para zelar pelos seus, pela sua saúde e para manter os níveis de energia desejados. Vai sentir maior vitalidade e equilíbrio, vai estar mais disponível para identificar e aproveitar  oportunidades e desfrutar da vida em pleno! 

 Pratique exercício físico com regularidade, ajuda-a a libertar-se de tensões e contrariedades, repõe os níveis energéticos e mantem a vitalidade, para além de zelar pelo bom funcionamento do seu organismo.

   Pense positivo! O seu corpo vai-lhe agradecer. Quando pensamos positivo, o nosso corpo “sorri”, e liberta-se de problemas!

   Valorize-se! Se pretende triunfar, sobretudo profissionalmente, tenha em atenção que se no início ter um corpo perfeito pode ter alguma influência, à medida que subir na hierarquia vai ser sujeita a uma triagem onde o padrão de beleza vigente em nada influencia e no topo, encontrará mulheres perfeitas pelo seu valor intelectual e emocional.

   A beleza está nos olhos de quem vê! Aprenda a olhar para o espelho e a ver a mulher única e maravilhosa que é! Evite, no entanto, esta avaliação sempre que se sentir desanimada ou ansiosa. A imagem que vê no espelho reflecte o seu estado emocional

   Sente-se pressionada pelo meio em que vive e/ou trabalha? Seja fiel aos seus valores! Foque a sua atenção no desenvolvimento do seu capital intelectual e emocional, fortalece a sua resistência e permite-lhe passar ilesa por esta pressão. Se mesmo assim sentir que vacila, procure o apoio de um profissional especializado.

   Seja um exemplo, para os seus filhos, não permita que estes corram atrás de um sonho irreal e efémero de beleza! Responsabilize-os pelo zelo da sua saúde e bem estar. Proporcione-lhes formação nestas áreas, mantenha-os informados e reforçe a sua auto-estima, fazendo-lhes sentir o valor e a beleza do ser único que são. Esteja disponível para os apoiar em momentos de hesitação e/ouinsegurança. Quando necessário, não hesite e proporcione-lhes também o apoio de um profissional especializado que contribua para uma reordenação das suas prioridades e reforço da auto-estima.


Pela sua saúde e bem estar, apaixone-se pela mulher única e maravilhosa que habita em si! Faça valer essa diferença!



22 de junho de 2014

Auto-Estima Conheça-se Verdadeiramente, Aprenda a Gostar de Si!

Só quando nos conhecemos verdadeiramente é que podemos aceitar e valorizar o que nos torna únicos e diferentes dos demais, aprender a gostar de nós e a amarmo-nos pelo que somos. 

Se lhe pedirem para falar de si, como se descreve?
O que é que mais valoriza em si?
O que menos lhe agrada?
Gosta verdadeiramente de si?
O que vê e quem vê quando se olha no espelho?
De que é que se orgulha?
Em que é que verdadeiramente acredita: Que as suas acções e o seu comportamento determinam os resultados alcançados ao longo da sua vida, ou pelo contrário, os outros, outras forças, o destino ou o acaso é que os determinam?

Reflita um pouco nas respostas a estas questões.   
  
Provavelmente questionou-se sobre a pertinência de algumas destas questões e/ou teve dificuldade em encontrar resposta para estas.

Será que se conhece verdadeiramente?

O autoconhecimento está na base da nossa identidade e auto-estima.

O que é a auto-estima?

A auto-estima  surge do modo como nos vemos e apreciamos, bem como, o quanto acreditamos em nós e na nossa capacidade para lidar com diversas situações, enfrentar desafios e obter resultados!

Significa auto-confiança, auto-respeito e auto-aceitação!

Quando atribuimos valor a nós próprios e respeitamos as nossas capacidades,
não receamos os desafios, a auto-estima traduz-se em vontade própria.

Como se constroí?

A auto-estima começa a construir-se na nossa infância. Quanto mais nos amarem, respeitarem, valorizarem, incentivarem a realizar diferentes actividades e a correr atrás do que nos faz feliz, melhores e maiores serão os pilares de sustentação de uma boa auto-estima. 

Se na infância e em vivências passadas estão as bases da nossa auto-estima elas não são determinantes, para a actual. Em adulto está nas nossas mãos escolher como queremos e quem queremos ser. Está nas nossas mãos  mudar a imagem que temos de nós.

A auto-estima, constroí-se assim de forma pro-activa, desenvolve-se no dia a dia e para que seja sólida e saudável  deverá surgir de dentro para fora e nunca no sentido inverso, deverá ser fruto do nosso autoconhecimento e do valor que lhe atribuimos.

Pessoas com a auto-estima elevada, sentem-se confiantes e promovem  a sua felicidade, bem estar e produtividade na sua vida.

Quando a auto-estima é baixa

As pessoas com baixa auto-estima têm uma identidade distorcida, desconhecem as suas verdadeiras qualidades e supervalorizam os seus defeitos. Maior parte das vezes definem o seu valor com base na apreciação que os outros possam fazer de si, o que os deixa demasiado vulneráveis, inseguros e dependentes do seu parecer. Têm receio da adversidade, sentem-se angustiadas e frequentemente cansadas. Não sorriem com facilidade. Podem ter dificuldade em lidar com a intimidade e afecto, bem como em criar e manter amizades verdadeiras. O seu discurso interno é negativo, não se perdoando a si mesmo nem aos outros.Tendem a gerar e a encontrarem-se, com frequência, em situações negativas.

A falsa auto-estima

Confundimos com frequência a falsa auto-estima com uma auto-estima elevada.
O que difere? O competir com alguém nalguns casos, uma fuga ao desepero de se sentir inferior!
São aquelas pessoas que referem as suas qualidades e feitos, não por, naturalmente, terem orgulho neles, mas porque necessitam sobressair, competir com os outros. È visível no seu discurso: “Estou feliz porque arranjei um emprego melhor e consegui primeiro que a minha irmã!” O que está aqui expresso é uma competição e nada tem a ver com auto-estima verdadeira.
Este desejo de competir é muitas vezes uma fuga ao desespero de ser ultrapassado e à angústia inerente.
É tipico em afirmações do tipo: “Ainda bem que fiz aquela formação, porque agora sou melhor do que todos os meus colegas!”
Existem também pessoas que, frequentemente, sobressaem diminuindo os outros.
Também neste casos não é um excesso de confiança ou auto-estima, mas sim a manifestação de um esforço exaustivo para se fazer notar!

Como melhorar e manter uma auto-estima saudável

J  Conheça-se melhor! Faça uma lista das coisas que sabe fazer bem. Descubra quais são os seus talentos e qualidades. Escreva-os, reveja-os e atualize-os. Tome nota também dos seus defeitos e limitações, aceite-os! Faça uma lista daquilo que necessita para se sentir uma pessoa realizada e feliz! Tente perceber o que é que o move, o que é que lhe fornece energia e o inspira a realizar algo! Aprenda a observar-se, não só físicamente, mas faça habitualmente um balanço das suas acções e pensamentos. À noite,  quando já estiver deitado, faça uma revisão ao seu dia, reveja o seu dia, como correu e quais foram as suas reacções nas diversas situações.

J  Aprenda a gostar de si! Deixe de se comparar com os outros, você é único, aceite e faça valer essa diferença! Admire-se a si próprio. Permita que os outros o amem e admirem!

J  Valorize a sua opinião, e o que é importante para si! Não deixe que a opinião dos outros bloqueie os seus projetos.

J  Permita-se ser feliz na vida e na relação com os outros!

J  Acredite mais em si e no seu potencial! Aja de acordo com o que gostaria de ser e ter! Ouse ser arrojado no que quer para a sua vida!

J  Defina metas claras e exequíveis! Ao defini-las torna-se mais fácil estruturar um plano de acções, estabelecer um percurso para cada etapa e garantir o alcance de resultados.

J  Crie o hábito de celebrar! Celebre sempre que vence uma etapa. A vibração positiva de cada conquista é muito importante, reforça a confiança em si e nas suas competências para continuar na direcção pretendida.

J  Cuide de si! Invista mais tempo e dinheiro em si mesmo. Trabalhe a sua imagem na direcção da que gostaria de ter




24 de abril de 2014

Quando o Romance Acontece em Ambiente de Trabalho

Há muito que Pedro, diretor de marketing de uma empresa de telecomunicações e Inês, diretora de recursos humanos na mesma empresa,  não eram indiferentes um ao outro. O que começara por uma despretensiosa troca de olhares no corredor e algumas conversas no café foi-se transformando e evoluindo. O romance instalou-se e a relação amorosa entre ambos foi inevitável!

Na sociedade atual, a maior parte do nosso tempo é passado no local de trabalho, restando-nos muito pouco tempo disponível para qualquer outro lugar e/ou atividade.

Não podemos ignorar o facto de que nas empresas emergem, com frequência relações, nem sempre formais. É natural que, no ambiente de trabalho, surjam sentimentos e emoções entre pessoas que têm interesses e preocupações em comum e com as quais partilham maior parte das horas do seu dia. Estas afinidades podem desencadear relacionamentos afetivos, sob a forma de amizade ou de romance.

O local de trabalho torna-se  assim, cada vez mais, num dos sítios comuns para conhecer pessoas, encontrar um parceiro/a e iniciar um relacionamento amoroso.

Estudos efetuados no âmbito das organizações, apontam, para a necessidade das empresas reverem as suas estratégias para se ajustarem a esta nova realidade sociocultural.

As implicações dos romances desenvolvidos em ambiente de trabalho, são diversas e as opiniões divergem quanto a serem benéficas ou prejudiciais para os membros envolvidos, para o ambiente de trabalho e para os objetivos da organização.

Atualmente, ainda não existem regras claras sobre o assunto, prevalecendo o bom senso de manter a discrição e o profissionalismo, para a  maioria das empresas, enquanto que  para as restantes, este tipo de relacionamento não é permitido, com a justificação de que a tomada de decisões e a produtividade podem ser prejudicadas.

Importa assim que os colaboradores das empresas antes de assumirem um relacionamento com um(a) colega,  se informem, via departamento de recursos humanos, das políticas de relacionamento em vigor. Esta informação será uma preciosa ajuda para saberem como agir de acordo com o código de conduta da empresa em questão. Em algumas empresas, quando o romance se torna público, a troca de departamento por parte de um dos elementos envolvidos é um ajuste necessário à conduta em vigor para esses casos.


Como viver “um grande amor” sem descurar o lado profissional?


J  Antes de tomar qualquer iniciativa, procure perceber  a verdadeira natureza dos seus sentimentos. Sente que está a desenvolver um sentimento mais forte por um(a) colega de trabalho? Será que o que sente vai para além de uma mera admiração profissional?  Procure conviver naturalmente com a pessoa em questão fora do ambiente de trabalho! Será que esse seu sentir não é apenas consequência de uma situação de maior fragilidade sua, sob o ponto de vista emocional? Procure perceber se esse seu sentimento está presente apenas quando está com a pessoa em questão! Se o seu interesse pelo(a) colega não passar de uma mera aventura, procure alguém de fora da empresa!

J  Seja prudente e discreto! Não aja por impulso nem em momentos de euforia! Não avance sem perceber se é correspondido! Tenha uma conversa franca e discreta com o(a) colega em questão, perceba se o sentimento é recíproco. Pense antecipadamente nos dois tipos de resposta e no caso de um “não” prepare-se para lidar com ele sem ressentimentos, nem desejos de vingança que comprometerão a sua produtividade e relacionamento com os demais! Não utilize nem as horas nem o ambiente de trabalho para esta conversa/encontro. É sempre preferível marcar um encontro informal para o final do dia num local agradável para ambos. Depois de assumida a relação não deixe que manifestações exgeradas de afeto ou discussões pessoais atrapalhem e/ou condicionem a relação com colegas e o ambiente de trabalho. Não use o e-mail, telemóvel e/ou qualquer outro meio da empresa para enviar mensagens amorosas. Qualquer um poderá aceder à sua intimidade!

J  Seja honesto! Pode sempre optar por não revelar aos demais a relação assumida, mas mais cedo ou mais tarde ela será descoberta. Até lá ambos poderão ser alvos de comentários e boatos desnecessários. Definam quando e em que moldes vão assumir a vossa relação. Falem sobre a importância do comportamento de ambos no impacto da mesma na empresa e na produtividade de cada um. Definam as vossas regras de conduta na empresa e comuniquem claramente mas sem grandes pormenores, a vossa relação, aos colegas, superiores e os demais envolvidos.

J  Mantenha o seu profissionalismo! Lembre-se sempre apesar de ter uma relação que pode até já ser uma vida conjugal com o(a) colega de trabalho, em relação à empresa, continuam ambos a serem colaboradores independentes entre si. Não permita, em nenhuma situação, que a relação de ambos interfira com o desempenho e o comportamento profissional de cada. Evite favoritismos sobretudo se a pessoa amada for o seu subordinado e vice-versa! Não trate afetivamente os problemas profissionais, nem procure assumir um papel fiscalizador das atividades do(a) parceiro(a), deixando as prioridades do trabalho para segundo plano. Se a relação, por qualquer motivo, terminar, procure uma solução que não penalize nenhuma das partes. Mantenha uma relação profissional saudável (evite ataques pessoais ou profissionais na sombra de um desejo de vingança), mesmo que a sua vontade não seja essa.Procure resistir à tentação de se vitimizar perante os colegas! Foque-se naquele que é o objetivo do seu trabalho!

Não abdique de um “grande amor”, mas tenha sempre em mente que as horas passadas na empresa deverão ser produtivas e vividas com profissionalismo!


23 de fevereiro de 2014

A Síndrome do Marido Aposentado

Adelaide tem 44 anos e é professora efetiva numa escola da sua área de residência. O marido Alberto, é diretor de produção numa multinacional. O filho de ambos, o Henrique, está prestes a concluir a licenciatura em engenharia electrónica.

Pelo facto de maior parte dos dias da semana o horário letivo, de Adelaide, não estar completo, ela aproveita o tempo para, no sossego de casa, preparar as sua aulas e sempre que pode adiantar algumas das tarefas domésticas.

Há um mês atrás a multinacional onde Alberto trabalhava, decidiu sair de Portugal e abrir novas instalações no Brasil, dispensando e indemnizando os colaboradores mais antigos, conduzindo-os a uma situação de pré-reforma!

Alberto viu-se inesperada e precocemente numa situação de “aposentadoria”, sem saber o que fazer, passando a partilhar mais tempo, em casa, com Adelaide.

Com o passar do tempo, Adelaide começou a andar irritada, com menos paciência para os colegas e alunos. Por mais do que uma vez sentiu-se mal, enquanto lecionava.  Ninguém conseguia perceber a origem de todas estas alterações de Adelaide.


A Síndrome do marido aposentado (SMA)

Síndrome do marido aposentado ou SMA, é o nome não oficial, utilizado pela maioria das pessoas, quando se referem ao distúrbio resultante do stress vivido pelas mulheres cujos maridos, fruto de  uma situação de aposentadoria forçada ou desejada, passam muito mais tempo em casa do que quando trabalhavam, provocando mudanças e alterando as rotinas existentes.

Conhecido na medicina como RHS, sigla em inglês para Retired Husband Syndrome, este distúrbio, foi diagnosticado, pela primeira vez em 1991, no Japão pelo Dr. Nobuo Kurokawa, considerado, atualmente, um dos maiores especialistas mundiais neste tema.

Como e porque acontece?

Se um casal se ama, o facto de poderem privar mais tempo da companhia um do outro, com o regresso do marido a casa, sobretudo depois de anos que só se viam de manhã e à noite, fruto de grandes exigências profissionais por parte deste, pressupõe tornar-se numa situação aprazível para ambos, mas na realidade nem sempre assim acontece!

Na realidade, fruto da natureza das atividades profissionais e/ou pessoais que vai desenvolvendo ao longo da vida, cada um dos membros do casal, cria hábitos e rotinas a que tende a acomodar-se!

As mulheres que, por opção,  se dedicaram  prioritariamente ao seu papel de mulher e mãe, fizeram da  casa o seu território e gostam de o manter de acordo com os seus hábitos e escolhas.

As mulheres que dividiram o seu tempo entre carreira, casa e educação dos filhos, criaram também, por necessidade ou não, rotinas na gestão diária das suas múltiplas facetas, a que se acomodaram. Algumas destas, optaram até por fazer da casa o seu local de trabalho (artesãs, profissionais liberais, opção pelo teletrabalho...), aproveitando assim para gerirem melhor o seu tempo.

No contexto atual, à semelhança do Alberto, são frequentes situações em que ao fim de muitos anos dedicados a construir uma carreira,   um dos cônjuges do casal, neste caso o marido, fruto de  uma situação, maior parte das vezes forçada, passa a ficar mais tempo em casa do que quando trabalhava, provocando assim a mudança e a alteração das rotinas existentes.

Ao verem-se privadas da sua liberdade para organizarem o seu dia a dia e diversas atividades, pela presença permanente do marido em casa que opina,  
solicita com frequência a sua companhia e a execução de tarefas extras, algumas destas mulheres começam a sentir para além de uma perda de autonomia, a  invasão do seu espaço e domínio e uma  maior necessidade de flexibilidade na gestão diária das tarefas e do tempo pessoal e familiar. Esta nova condição familiar, é vivida com stress e muita ansiedade.

Os sintomas, não tardam em manifestar-se: alterações do humor e do comportamento, ataques de pânico, depressão, erupções cutâneas, gastrites, alterações da pressão arterial, entre outros do foro psicossomático.

As consequências dos mesmos, para além do mau estar no próprio, podem levar, sobretudo no caso de negação dos sintomas manifestos, à deterioração da relação do casal, afetando todos os membros da família envolvidos na situação.

Mas, nem todas as mulheres vivem do mesmo modo esta situação!

As que são mais flexíveis, confiantes, resilientes e capazes de se adaptarem a diversos contextos, ultrapassam com êxito e sem constrangimentos este reajustamento familiar.

O que pode fazer para prevenir?


J  Em primeiro lugar tome consciência das implicações que uma situação semelhante pode ter para si e para a sua família.
J  Seja proativa! Converse com o seu marido e filhos, analisem vários cenários alternativos, para ultrapassar a situação, caso ela venha a acontecer.
J  Não pense só em si! Pense no mal estar que o seu parceiro também poderá sentir, caso a situação seja forçada ao invés de desejada e mesmo que desejada na “confusão” e reajuste de objetivos que ele terá de fazer.
J  Se alguma destas situações acontecer, converse de imediato com ele, faça um reajuste às vossas prioridades e objetivos. Deixe espaço para alguns programas em família. Todos poderão beneficiar.
J  Estimule o seu marido a encontrar novas atividades profissionais e/ou hobbies, fora de casa, apoie-o nessa procura!
J  Não desanime, esta é apenas uma fase de readaptação, não ceda à pressão que possa estar a sentir.
J  Seja positiva e acredite que tudo irá mudar para melhor! Confie em si e no seu potencial para gerir a situação!
J  Se ainda não pratica, comece a praticar alguma atividade física. Vai ajudá-la a descontrair.
J  Logo que dê pelos primeiros sintomas do distúrbio, não os ignore, converse com o seu parceiro e caso seja necessário, não hesite, procure ajuda de um profissional, de preferência de terapia familiar ou de casal.